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Pix: vírus altera QR Code e desvia pagamentos em lojas virtuais


09/09/2026

 

Pix: vírus altera QR Code e desvia pagamentos em lojas virtuais

Um novo tipo de fraude digital está trocando os QR Codes usados em pagamentos via Pix em lojas virtuais e desviando os valores para contas de golpistas. A ameaça foi identificada em 1º de setembro pelo pesquisador de segurança conhecido como “eremit4” e depois analisada pela empresa de cibersegurança Kaspersky, que encontrou 90 sites de comércio eletrônico de pequeno e médio porte infectados no Brasil.

O código malicioso age dentro do site da loja: no momento em que o consumidor conclui a compra, o QR Code legítimo é substituído pelo fraudulento. A alteração também pode atingir o Pix Copia e Cola, o que estende o golpe a quem paga pelo celular.

As páginas afetadas usam a plataforma gratuita Magento. Segundo a Kaspersky, o vírus consegue modificar a informação de pagamento sem produzir mudanças visuais perceptíveis para quem está comprando.

Como funciona o vírus que altera o Pix

O golpe se materializa na etapa de pagamento de uma loja virtual infectada. Em vez do código Pix gerado pelo estabelecimento, o cliente vê um QR Code já alterado pelo código malicioso, e o dinheiro segue para uma conta controlada pelos fraudadores.

O mecanismo também modifica o Pix Copia e Cola, ampliando as formas de pagamento alcançadas. O ponto central é que o computador ou o celular do cliente não precisa estar infectado: o código é inserido no próprio site de comércio eletrônico e interfere na operação durante o pagamento.

Segundo Fabio Assolini, diretor do time de investigação da Kaspersky na América Latina, esse modelo amplia o alcance da fraude, porque uma única infecção pode atingir todos os clientes que acessam a página comprometida.

Outro agravante é que a troca do QR Code não deixa sinais visuais claros. Por isso, conferir os dados do destinatário antes de confirmar o Pix é uma das medidas indicadas para reduzir o risco.

O que o consumidor deve checar antes de pagar

A recomendação principal é verificar, no aplicativo do banco, quem vai receber o Pix antes de concluir a transferência: conferir o nome do destinatário e o CNPJ informado e comparar com os dados da empresa onde a compra foi feita.

Em pequenos estabelecimentos a conferência exige atenção extra, porque o pagamento pode aparecer vinculado ao nome da pessoa proprietária do negócio, e não ao nome fantasia usado na loja virtual.

Alguns comerciantes atingidos passaram a informar CNPJ e razão social aos clientes justamente para facilitar essa checagem. Outros migraram para plataformas de pagamento terceirizadas, em vez de processar a cobrança diretamente no site.

O uso de antivírus também entra na lista: de acordo com a Kaspersky, a alteração do QR Code é acionada por um código considerado suspeito, que pode estar escondido em linhas ofuscadas do site.

Fraude também alcança pagamentos com cartão

A ameaça não se limita ao Pix. Segundo o alerta da Kaspersky, o mesmo vírus pode atuar sobre dados de cartão de crédito quando o consumidor escolhe essa modalidade.

Nesse cenário, o estabelecimento pode receber normalmente o pagamento, enquanto os dados do cartão são capturados pelos criminosos para uma tentativa de clonagem posterior. A orientação, nesses casos, é usar cartões virtuais, cujos dados valem para uma transação específica e expiram após o uso.

A proteção, portanto, precisa considerar cada forma de pagamento oferecida pela loja, já que o código malicioso age de maneira diferente conforme a opção escolhida.

Como o lojista reduz o risco

Para o comerciante, a prevenção começa na própria plataforma de e-commerce. A Kaspersky recomenda manter o Magento atualizado, o que diminui a exposição a vulnerabilidades ligadas à versão utilizada.

Também são indicadas senhas únicas e complexas para acessar a área administrativa da loja, além do monitoramento recorrente do site com softwares de segurança, capazes de sinalizar comportamentos anômalos.

Identificar o código malicioso pode ser difícil para o próprio lojista, especialmente porque a ameaça costuma estar escondida em linhas de código ofuscadas. Por isso, o acompanhamento técnico do funcionamento da página faz parte das medidas de detecção.

O que fazer se o Pix for desviado

Se o consumidor perceber que pagou para um destinatário diferente do esperado, a orientação é procurar imediatamente o banco para registrar a fraude e solicitar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix.

O mecanismo permite que a operação seja analisada e que as instituições financeiras adotem procedimentos para tentar recuperar os valores. A solicitação pode ser feita em até 80 dias após a transação.

Apesar desse prazo, a rapidez faz diferença: os criminosos podem espalhar os valores por diversas contas em poucas horas, o que dificulta o rastreamento e o bloqueio. O MED consegue rastrear a movimentação por até cinco transferências.

Mesmo quando a recuperação não é possível, vale registrar a contestação. A informação ajuda as instituições financeiras a identificar contas usadas como intermediárias em operações fraudulentas.

Fonte: Com informações de Contábeis

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